Saudades do que se viveu?
Saudades de algo idealizado?
Saudades das pessoas, do modo de vida dos costumes?
O que é nostalgia para vocês?
Eu tenho saudades de um tempo que já foi.
Não, não estou dizendo que hoje é ruim, que antigamente era melhor, não é isso.
Estou falando que sinto sim saudade da minha infância, de quando eu fugia da minha mãe enquanto ela cochilava em frente a TV para brincar na rua, correr, chegar em casa suada e fedida, e ter que tomar banho de novo pra poder dormir...
Tenho saudade de ir para a escola com a tabuada decorada, ou ter que decorar as preposições ali na hora, para a professora arguir de última hora, até hoje se elas de cor...
Tenho saudades dos passeios que fazia com meu grupo de 5 amigos, a maioria primos, passávamos as tardes de sábado a caminhar sem rumo, sempre acabávamos na casa de alguém, e ficávamos por lá, quantas broncas levamos por chegar depois do jantar em casa...
Tenho saudades dos amigos da adolescência (a maioria meninos, sempre me dei melhor com eles, são mais práticos e mais confiáveis...):
O Wal era um amigão, andávamos de braços dados: eu, ele e a namorada dele. Depois deu a louca e ele foi embora para São Paulo. Me ligava às vezes, passávamos horas no telefone. Me escreveu 3 cartas, depois apareceu por aqui, acho que um ano depois, a passeio. Depois disso, não tive mais notícias dele...
Sempre chegava cedo na escola para conversar com Di, (estudava a noite na época...) conversávamos até bater o sinal, e sempre que era possível. Nos intervalos das aulas e tudo mais... Ele casou, nos vemos de vez em quando. Tem um filho lindo...
O Dê, sempre aparecia nos sábados ou domingos À tarde na minha casa, geralmente vinha falar da namorada, sempre trocávamos bilhetes carinhosos... Esse continua namorador, como sempre foi, de vez em quando ainda batemos um papo...
Tinha o Rô que sempre passava quando voltava da casa da namorada, nessa época tínhamos uma lanchonete, ele vinha, pedia um sanduíche e esquecíamos do tempo a conversar. Daí a pouco, chegava minha mãe a dizer: - Ei, eu quero fechar, preciso descansar. Caíamos na risada e nos despedíamos. Às vezes ele aparecia a tarde também. Esse também era meu primo. Depois ele foi morar em São Paulo, e as conversas rarearam, e só por msn...
Do PG, com seu sax, e suas buscas intermináveis na biblioteca. Muitas vezes fiz ele ir guardar toda a coleção da BARSA que ele fazia eu retirar para suas pesquisas...
Do Ri, que passava as tardes na lanchonete conversando e ficou com raiva de mim porque eu terminei o namoro com seu amigo, e depois que se mudou pra Bezerros nunca deixou de visitar a sua irmãzinha, tipo: -Como você está? Jajá tenho que ir embora, meu pai está na casa da minha vó esparenado. E que agora que casou só aparece de vez em quando, mesmo a esposa não sendo ciumenta, mas às vezes chega: -Bora buscar seriguela?
Do Dolfo, ei, quantas vezes tu vinhesse aqui em casa pra não deixar a tristeza tomar conta de mim, e sempre depois do almoço tinha que ir dormir e depois a gente ia te acordar pra ir dar uma volta hein? Eita, quantas conversas sem fim, sobre o sentido das coisas e tudo mais, historiador filósofo!
Ah, e também o Juninho, que sempre foi um irmaozão. Sempre me escutou e me ajudou nos meus maiores perrengues. Quantas vezes inventaram que a gente tava namorando hein compadre? Mas esse é sa Dinha, viu gente!
E o Vima. Esse é o meu colinho preferido, irmão,e amigo pra tudo. Ainda ontem passamos um tempão conversando. Quando a gente tava na faculdade, fazíamos caminhadas incríveis. Eram horas conversando, caminhando ou simplesmente acabando com um litro ou dois de coca-cola. Falando de músicas, de séries, de filmes, ou de qualquer bobagem que pudesse povoar nossas cabeças. De todos, acho que Vima é o único com quem converso sobre tudo que se passa nessa cabeça insana.
Sinto falta também das meninas...
Da Ka, que foi quem me acompanhou nas primeiras descobertas, nas primeiras paqueras, nos perrengues de família...
Da Sa, que estava sempre comigo e com a Ka, passamos muitas tardes legais juntas...
Da Ana, que tava comigo durante todo o ensino médio, juntas tentamos o vestibular e fomos em busca de algo novo para nossas vidas...
Da Rê, como a gente enlouquecia o pessoal do ônibus hein? E aquele banho de chuva em plena tarde, com todo mundo chamando a gente de malucas? Coisas que não se esquecem jamais...
Da Si, que ficava comigo esperando o busão chegar, declamando as poesias de Vinícius...
Da Fabi, cantando Chico pelos corredores da faculdade: -Elinha, me ensina retrato em branco e preto. Ou quando os professores queriam ferrar a gente: -É pau, é pedra, é o fim do caminho... Né Tom Jobim?
Da Va, que quando eu cheguei para trabalhar na biblioteca me ensinou tantas coisas, e mesmo depois ainda se faz tão presente. Seríamos cunhadinhas, mas o destino não quis. Melhor assim, seremos sempre amigas irmãs.
Da Gabi, com suas loucuras e dúvidas, com todo seu carinho e carência, tão parecida comigo...
Da Isa, que com suas loucuras sempre nos fez rir, e num dia louco quase matou a gente de susto, mas as coisas são assim...
Da Dinha, que com sua voz sempre alegrou nossos corações, com seus longos cabelos pra gente puxar. Não dói né?! E nossas longas conversas regadas a bacardi com bolo de chocolate, dos festivais de inverno ou de música, das tantas conversas sem hora pra acabar, das tantas vezes que passou aqui só pra ver como eu estava, minha amiga, minha irmã e comadre...
Esse post era pra falar de nostalgia, mas é isso que sinto ao falar de cada um de vocês.
Sinto falta desse tempo que passou e não volta, pois a vida quis assim. A vida leva cada um por caminhos diferentes, e não nos afastamos por querer, mas por seguir o que estava traçado para cada um de nós.
Alguns viajaram, alguns casaram, outros se dedicam aos estudos, ou seja lá o que for. O que vale são as lembranças de momentos intensamente vividos, guardados para sempre na lembrança.
Isso é nostalgia para mim.
Que pena que a maioria de vocês não me lê, ou simplesmente não sabe que escrevo aqui. Não sabem dessa saudade, do bem que me fizeram, e não são localizáveis.
Pena que algumas saudades jamais passarão.
Eu e Vima
Turma do Funil: Vima, eu Dinha e Juninho
Dinha e eu
Eu e Fabi
Gabi
Ri e eu
Juninho e eu
Va
Eu e Dolfo
PS: Os nomes estão carinhosamente abreviados.
PPS: Desculpem a imensidão dessa postagem. Não queria torná-la cansativa...